Autor: Brisa Broseghini - 25/07/2016 13h20

Chama João!


Foto: Divulgação

Em meados do semestre passado, navegava pela internet buscando novidades para trabalhar nas aulas de Música do Ensino Médio. Acessei a Coluna “Questões Musicais”, do músico, pesquisador e doutor em Letras, Paulo da Costa e Silva, publicada na Revista Piauí e disponibilizada na Folha de São Paulo online (Disponível em <http://piaui.folha.uol.com.br/questoes-musicais/a-ausencia-de-uma-trilha-sonora/>). Li o seguinte título: “A ausência de uma trilha sonora”. Levei um susto!

O texto, publicado em abril desse ano, trata do momento político vivido por nós aqui no Brasil e acaba fazendo um paralelo com o momento político vivido nas décadas de 60 e 70 com a tão conhecida música de protesto. Diz o seguinte: “[...] palavras e discursos de protesto não eram suficientes, era preciso que fossem acompanhados de entoações melódicas [...]. A vida literalmente pulsava ao som de canções, que pareciam capazes de apontar os novos rumos do tempo. [...] o que aconteceu com nossa música popular, que não desempenha mais um papel central na cultura?” Fiquei triste.

Não tenho a menor intenção de falar da política brasileira, mas, cadê os jovens desse país? Vamos ter que cantar de novo “Vem vamos embora que esperar não é saber...” do Geraldo Vandré? Vamos ter que gritar como o Cazuza “Brasil, mostra tua cara!” mais uma vez? Ou apelar para o Legião Urbana no refrão “Que país é esse?”. Os jovens da época sabiam do poder da sua própria voz. Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Geraldo Vandré foram exilados por defender os ideais de justiça e liberdade.

Neste ano assisti muitas passeatas pela televisão, com jovens gritando e brigando, vestidos de verde e amarelo, com a cara pintada. Contudo, esses mesmos jovens não sabiam o que dizer quando eram entrevistados, bem se via que estavam ali pela farra, pela bagunça, pela “muvuca”.

De que adianta?

Foi nesse momento que fiquei com vergonha. Vergonha do País, da política, dos jovens, dos artistas/ músicos e de mim, que não consigo fazer ainda mais pelo desenvolvimento crítico e independente dos meus alunos.

Termino com um trecho da música ‘João’, dos rapazes do ‘Alma DJem’ que, apesar de ter sido composta em 2004 continua muito atual: “Chama João, manda despertar que um novo tempo vem aí [...]”.



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