Autor: TechTudo - 14/05/2020 15h27

Eletrônicos com luz UV-C podem eliminar coronavírus de embalagens e ambientes

Raios ultravioleta deste tipo não devem ser aplicados diretamente na pele humana. Setor de eletrônicos também trabalha em gadgets que auxiliam no enfrentamento da doença.


Equipamentos tecnológicos com luzes UV-C são a nova aposta da indústria para o combate ao novo coronavírus. Especialistas indicam que os aparelhos auxiliam na descontaminação de superfícies, ambientes, produtos e embalagens. Ao mesmo tempo, a Organização Mundial da Saúde alerta que os raios UV-C não devem ser apontados diretamente para o corpo humano, pois podem causar queimaduras e estimular o desenvolvimento de câncer.

O interesse por elementos que auxiliem na contenção da Covid-19 fez com que diversos agentes do mercado elaborassem leitores de códigos de barras que neutralizam o vírus, rodos específicos para limpeza de ambientes hospitalares e lâmpadas de descontaminação – tudo com tecnologia das luzes UV-C. Além disso, empresas apostam em outros eletrônicos considerados úteis neste momento de pandemia. Confira nas linhas a seguir.

Como funciona a luz UV-C?

A radiação ultravioleta é uma forma de radiação eletromagnética assim como a luz visível ou os raios-x. Ela é dividida em raios UV-A, UV-B e UV-C, sendo esse último o mais agressivo para a vida. Com maior energia, essa forma de luz tem efeitos devastadores sobre microrganismos como bactérias e vírus. No caso do novo coronavírus, os raios ultravioleta agem dissociando moléculas e as informações genéticas do vírus, em uma ação que elimina a capacidade de infectar seres humanos.


SafeCode promete ler código de barras e matar vírus por meio de raios UV-C — Foto: Divulgação/Bizsys
Produtos como o leitor de código de barras SafeCode são capazes de emitir essa luz, matando o vírus presente na superfície atingida. A solução deve ser aplicada de acordo com as instruções de cada fabricante e seu uso deve seguir as devidas normas de segurança. Isso porque a radiação não é agressiva apenas aos microrganismos: a exposição excessiva da pele a esse tipo de luz pode provocar câncer de pele.

É mesmo eficaz para eliminar o coronavírus?

O UV-C é um tipo de raio que "carrega" mais energia, e provoca danos nas ligações químicas entre compostos que formam as estruturas presentes no interior das células. No caso do Sars-CoV-2, essa radiação é capaz de destruir o material genético, além de outras estruturas que compõem o vírus. Sem essas informações, o novo coronavírus fica incapaz de se reproduzir, perdendo a capacidade de se fixar no organismo.

OMS alerta: não deve ser usado em pessoas

O ultravioleta é agressivo a qualquer célula viva, e isso não exclui as células que formam a pele. Uma exposição sem filtros e cuidados ao UV-C pode gerar queimaduras na pele e danos graves à saúde, sobretudo aos olhos.

A empresa Signify, por exemplo, recomenda o uso de suas lâmpadas em cômodos vazios. Em empresas, escolas e hospitais, luzes desse tipo podem ser acionadas em horários de menor circulação para eliminar os microrganismos presentes nas superfícies do ambiente.

Outra observação importante é que a exposição a raios UV-C pode não ser muito eficaz em tecidos. Estudos da Universidade de São Paulo (USP) apontam que a luz pode não alcançar os vírus e bactérias nesses materiais por eles ficarem entre as fibras do tecido.

A Sociedade de Engenharia de Iluminação dos Estados Unidos recomenda cautela, pois a administração deste tipo de luz na pele humana traz riscos. A Organização Mundial da Saúde emitiu uma diretriz proibindo que as pessoas usem produtos baseados no UV-C para esterilizar as mãos.

UV-C deve ser usado para descontaminar superfícies

A principal contribuição do UV-C está na descontaminação de superfícies como o chão, a mesa ou até mesmo um pacote. Em hospitais, é possível usar rodos e outros dispositivos para processos de limpeza do chão, paredes, mesas e outras superfícies.


Rodo UV-C da USP é usado em hospitais para esterilizar o chão — Foto: Divulgação/USP
Outra possibilidade é a de aumentar a segurança de produtos e alimentos, caso da proposta do SafeCode, pensado para ser usado por restaurantes e lojas que oferecem serviços de delivery ou empresas de logística. A pistola desenvolvida pela empresa brasileira Bizsys promete ler códigos de barras ao mesmo tempo em que garante a esterilização do pacote, evitando a contaminação das próximas pessoas com acesso ao produto.

Equipamentos de limpeza, por sua vez, como rodos para esterilizar o chão, entre outros, são particularmente interessantes para hospitais. No Brasil, a USP está produzindo equipamentos com a tecnologia, que é cedido a unidades de saúde do estado de São Paulo.

Mais tecnologias usadas no combate à pandemia

Temperatura do corpo via biometria

O mPass Fever, da Montreal, é uma solução engenhosa que combina biometria com leitura de temperatura. A ideia é que o sensor seja usado para servir como forma de validação em empresas por meio de reconhecimento facial ao mesmo tempo que lê a temperatura do funcionário, emitindo alerta caso o mesmo se encontre em estado febril.

Respiradores em universidades

Há uma grande preocupação em torno da necessidade de abastecer hospitais com mais respiradores, um tipo de aparelho médico que é capaz de auxiliar pacientes com casos graves de Covid-19 a respirar. Diversas universidades do Brasil e do exterior, como UFRJ, MIT e UFPB, têm encontrado grande sucesso em criar versões mais baratas do instrumento, usando até mesmo o Raspberry Pi como unidade de controle do equipamento.

Robô cachorro da Boston Dynamics

O Spot, robô da Boston Dynamics que lembra um cachorro, está sendo usado para agilizar a triagem de casos suspeitos de coronavírus em um hospital de Boston. Lá, o robô ganhou uma tela e câmera para permitir que possíveis infectados entrem em contato com médicos e profissionais da saúde à distância. A medida tem como objetivo diminuir o contato dos profissionais com o vírus, reduzindo os riscos de contaminação. Recentemente, o modelo também começou a ser utilizado em parques públicos na Singapura para avisar às pessoas que é necessário manter uma distância segura, entre outros avisos.




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